Passado a Limpo
Dúvidas e dilemas existenciais do ser humano em sua solidão total – Engenheiros do Hawaii.

Dúvidas e dilemas existenciais do ser humano em sua solidão total – Engenheiros do Hawaii.
Passado a limpo + dezembro de 1988.
Há 36 anos os Engenheiros do Hawaii lançavam o álbum “Ouça o Que Eu Digo: não Ouça Ninguém”.
Terceiro disco de inéditas da banda gaúcha pela BMG através do Selo Plug.
Ele foi gravado entre julho e agosto nos estúdios RCA em São Paulo.
Ele rendeu dois singles promocionais, a música título e “Somos Quem Podemos Ser”, o grande sucesso do lançamento.
Com as boas execuções nas rádios e a turnê que se seguiu (batizada de Variações sobre a Mesma Tour), o disco vendeu bem, ultrapassando as 100 mil cópias e rendendo o segundo disco de ouro da banda.
O álbum apresenta características de continuidade em relação ao seu antecessor, trazendo a banda com uma sonoridade diversificada e, ao mesmo tempo, representa uma guinada na direção de um som mais próximo ao de power trios clássicos, com mais peso e distorção na guitarra e com arranjos mais simples e coesos.
O projeto gráfico da capa ficou a cargo do baterista Carlos Maltz.
A ideia era utilizar fontes góticas em um fundo vermelho com símbolos pretos e dourados para remeter a uma estética do Terceiro Reich, mas substituindo uma eventual suástica pelo símbolo hippie da paz.
Assim, sugeria-se que até mesmo uma cultura que pregava “paz e amor”, com um conceito bem-intencionado e libertário, poderia ser reapropriada para fins totalitários. Neste sentido, a capa era inspirada pelo conceito do filme Pink Floyd – The Wall: um artista pop que vai se afastando cada vez mais da realidade e que leva uma multidão de fãs a segui-lo em uma aventura totalitária.
O grande trunfo do terceiro LP dos Engenheiros esteja em fazer o ouvinte pensar.
Logo na abertura homônima, somos levados ao auto-exame: “Tantas pessoas / Paradas na esquina / Assistindo a cena: / Pele morena / Vendendo jornais / Vendendo muito mais / Do que queria vender”.
